2011.08.05

Campanha de escavações arqueológicas no Ribãt da Arrifana

Com o apoio da Sociedade Polis Litoral Sudoeste, da Câmara Municipal de Aljezur, da Associação de Defesa do Património Histórico e Arqueológico de Aljezur e da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, estão em curso os trabalhos relativos à campanha de escavações arqueológicas, que se iniciaram em julho e que abrangerão todo o mês de agosto.

O Ribãt da Arrifana, fundado pelo mestre sufi lbn Qasi em cerca de 1130, e localizado na denominada Península da Ponta da Atalaia, cinco quilómetros a poente de Aljezur, seriam identificados apenas há cerca de dez anos, pelos arqueólogos e historiadores Rosa Varela Gomes e Mário Varela Gomes (Universidade Nova de Lisboa).

Ibn Qasi foi contemporâneo de D. Afonso Henriques, com quem estabeleceu pacto de não agressão, permitindo àquele conquistar os territórios entre Mondego e Tejo.

Importa sublinhar que o Ribãt da Arrifana integra local com grande beleza natural, que estimulou o mestre sufi da Arrifana e seus seguidores na reflexão metafísica e no desejado encontro com Deus.

A campanha atualmente em curso tem como principais objetivos prosseguir com o reconhecimento de conjunto de estruturas na zona mais ocidental da Ponta da Atalaia, onde também se integra a necrópole, bem como verificar a extensão daquele acervo edificado, de modo a que possa ser convenientemente integrado na musealização deste arqueositio.

Antecederam esta, outras nove curtas campanhas de escavações, suportadas pelo Ministério da Cultura, Fundação Calouste Gulbenkian, Câmara Municipal de Aljezur e Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, contando ainda com o apoio logístico da Associação de Defesa do Património Histórico e Arqueológico de Aljezur, que puseram a descoberto as ruínas de oito mesquitas e de diversas instalações com elas relacionadas, de minarete, muro de orações, tal como de necrópole.

Também proporcionaram o achado de numerosos objetos, tanto relacionados com a vida quotidiana ali decorrida como com diferentes manifestações de caráter religioso.

Entre os espólios exumados destacam-se numerosa coleção de cerâmica, de mesa de cozinha e de armazenamento, armas metálicas, objetos de osso, de vidro, pedra e inscrições, designadamente lápide funerária, encontrada “in situ” e contendo longo texto.

As estruturas e os espólios descobertos permitirão melhor conhecer, em termos históricos e cognitivos, a vida e o pensamento de quem mandou edificar e dos que viveram no Ribãt da Arrifana, testemunho importante da conjuntura política e ideológica que permitiu a fundação de Portugal.

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