2015.12.05

Praia requalificada da Costa de Santo André prepara-se para os efeitos das alterações climáticas

A Sociedade Polis Litoral Sudoeste concluiu a intervenção na Praia da Costa de Santo André, orçada em cerca de um milhão de euros, a qual pretende assegurar a resiliência e a estabilidade biofísica desta faixa costeira e minimizar as situações de risco, há muito identificadas. Trata-se de uma ação realizada em parceria com a Câmara Municipal de Santiago do Cacém, apoiada pelo Programa Operacional Temático de Valorização do Território POVT 2007-2013, cofinanciada pelo Fundo de Coesão em 85%.

 

Sabe-se hoje que toda a costa Portuguesa regista tendência erosiva e regressiva, existindo um risco concreto de perda de território. Num espaço com a importância ambiental e ecológica como a costa de Santo André, esta ameaça é ainda mais relevante, no que concerne à destruição dos habitats, à perda de biodiversidade e ao declínio das atividades económicas que aqui se desenvolvem.

 

A gestão dos riscos inerentes à evolução do litoral será uma questão que assume ainda maior importância num futuro cada vez mais próximo, devido aos impactes das alterações climáticas, designadamente a subida do nível médio do mar e a modificação do regime de agitação marítima, da sobre-elevação do nível médio das águas oceânicas, do aumento da frequência dos episódios meteorológicos extremos e da precipitação concentrada.

 

E é neste contexto que a intervenção da Sociedade Polis Litoral Sudoeste, agora concluída, se revela fundamental, na medida em que contribui decisivamente para o restabelecimento do equilíbrio geomorfológico do sistema duna-praia e para a resiliência deste troço costeiro.

 

A aposta passou pela reconstrução e consolidação da morfologia dunar, utilizando técnicas de regeneração naturais, como a colocação de paliçadas, estruturas em ramos de salgueiro, e a plantação de espécies dunares nativas, abrangendo uma área aproximada de 55.000 m2 - o equivalente a cerca de 6 campos de futebol.

 

Foram plantadas cerca de 19 200 plantas de espécies dunares autóctones, como o estorno, uma planta conhecida como ‘construtora de dunas’ pela sua grande capacidade de retenção e fixação de areias, e foi também efetuada a sementeira de sete outras espécies autóctones em cerca de 23.000 m2. Ainda na componente de recuperação ecológica, procedeu-se à remoção manual de espécies invasoras, como a acácia e o chorão, em toda a área de intervenção.

 

A proximidade da Lagoa de Santo André, área protegida de elevado valor biofísico, torna esta praia num ponto de grande interesse turístico, não só pela vocação recreativa (uso balnear e pesca), mas também como sítio privilegiado para a conservação da natureza e sua observação. E neste contexto, uma das vertentes abordadas no projeto foi precisamente, o ordenamento do espaço, com o intuito de reduzir a ocupação de zonas sensíveis.

 

Procedeu-se ao ordenamento e reconversão de caminhos, renaturalizando cerca de 6 000 m2, ao balizamento de percursos, utilizando material em plástico 100% reciclado, e à restrição da circulação automóvel, criando duas bolsas recuadas de estacionamento ordenado com cerca de 150 lugares, afastados do sistema dunar.

 

Paralelamente foram definidos e instalados novos acessos, com estruturas próprias para esse efeito, construídas em material reciclado, para limitar o pisoteio e a circulação nas dunas. Estes passadiços são acessíveis na sua maioria por pessoas com mobilidade reduzida, sendo a praia a sul dotada de acessos que a inserem na categoria de "Praia Acessível".

Até à próxima época balnear será implementado um conjunto de painéis com informação ambiental, de forma a melhorar o conhecimento e a identificação das ameaças e potencialidades decorrentes do funcionamento da zona costeira, numa perspetiva de garantir a sua sustentabilidade ecológica, ambiental e social.

 

Em suma, a intervenção procurou o equilíbrio e interação indispensáveis entre a conservação dos recursos naturais, a proteção da natureza, a minimização de riscos e o desenvolvimento económico do concelho, tendo-se encontrado soluções que se acredita eficazes para assegurar um efetivo desenvolvimento sustentável e equilibrado.

 

A Costa de Santo André constitui, hoje, um novo motivo para (re)visitar o Litoral Alentejano.

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